quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Vitrine ou vidraça? O que foi feito ou não foi feito?



 Vitrine ou vidraça? O que foi feito ou não foi feito?
10 de novembro de 2012 por jorge | Turismo, falta de planejamento

Ainda em 2007 com o SINAENCO, iniciamos uma avaliação sobre o Brasil, como sede da Copa do Mundo de 2014. Mesmo antes da já conhecida escolha, por ser o candidato único, que veio a ser homologado em outubro de 2007. Logo em seguida no Encontro Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Cosultiva – ENAENCO tivemos oportunidade de propor aos Ministros do Turismo e dos Esportes um planejamento oportuno, para projetar e implantar o conjunto de obras e ações necessárias a maximizar os benefícios do país com a Copa: o PAC da Copa, que só veio a ser estabelecido em 2011, mesmo assim de forma parcial, como uma matriz de responsabilidades para investimentos públicos.

Mostramos reiteradamente que a Copa é muito mais que um evento esportivo. É o maior evento midiático mundial, acompanhado por bilhões de pessoas em todo o mundo dando a maior visibilidade mundial ao país sede. E a grande pergunta que foi lançada na ocasião foi “vitrine ou vidraça?”.

Como o mundo veria o Brasil, em 2014: como um local desejável com grande capacidade de atrair turistas de todo o mundo pelas suas belezas, pela sua cultura, pelo seu povo e outros atrativos, ou um lugar a ser evitado pelos seus problemas. Ou seja, o mundo veria o Brasil pelas suas vitrines ou pelas suas vidraças? A mída internacional que para cá virá não irá mostrar apenas as belas vitrines que queremos expor. Irão atrás das vidraças que, aliás, tem mais impacto e audiência do que as vitrines.

O que deveria ser planejado para os seis anos subsequentes da escolha até a realização dos jogos? Preparar e embelezar as suas vitrines e acabar ou minimizar as vidraças?

Uma grande parte das vitrines brasileiras são naturais ou culturais, não ensejando grandes intervenções diretas pelo Poder Público. Já as vidraças são criadas pela dinâmica social ou decorrem do que não foi feito, como o caso dos aeroportos. Obras de infraestrutura são necessárias e vitrines para o público local ou nacional. Podem ter grande importância eleitoral, mas não são diferenciais significativos para o público internacional. Porém a falta delas é percebida como uma vidraça, pelas dificuldades vividas pelos turistas no país.

Cada cidade sede tem suas vitrines próprias, mas algumas das vidraças são comuns.

A experiência da África do Sul mostrou que, do ponto de vista a imagem do país, a Copa das Confederações é o grande fato gerador de opiniões. Isso porque na Copa das Confederações não haverá grande afluxo de turistas espectadores, porém haverá uma grande cobertura da imprensa dos paises participantes. Esses transmitirão para os seus paises e para o mundo a sua percepção e imagem do Brasil: as suas vitrines, mas também as suas vidraças.

Quais são as vitrines e vidraças das cidades que receberão a Copa das Confederações?

Começando pelo caso mais emblemático, o Rio de Janeiro, a sua maior vidraça é a violência nas comunidades. É também a principal ação dos Governos para superá-la. Ainda que não resolvida inteiramente, no caso mais visível, a Rocinha, a vidraça foi transformada em vitrine, passando a ser vista como uma atração turística. A favela pacificada, pelo seu exotismo, virou uma etapa imperdível para as celebridades que aportam no Rio de Janeiro.

Em Belo Horizonte a principal vidraça identificada em 2008 foi a carência de quartos para receber os turistas, com impasses em relação às normas urbanísticas e as perspectivas de ocupação posterior. Uma vez alteradas as normas urbanísticas para viabilizar os empreendimentos hoteleiros, os investidores resolveram arriscar, mesmo com a perspectiva, agora de excesso de oferta. Mas para a imprensa internacional presente na Copa das Confederações, não haverá a sensação de falta de quartos. Poderão faltar lugares em hotéis de luxo, mas isso poderá não ficar tão evidente. A grande distância do aeroporto à cidade e os congestionamentos na área central, onde ficam os polos hoteleiros podem ser problema, se os profissionais tiverem que se movimentar muito, mas ficará diluido em permanências mais longas. O problema é que provavelmente a mídia irá acompanhar a sua seleção, movimentando-se entre as diversas cidades.

Brasília só receberá a abertura e terá ainda um gargalo no seu aeroporto, em 2013. Apesar da privatização, e início das obras, a Infraero resiste em transferir a operação que já foi adiada e até junho de 2013, os profissionais de imprensa que chegarem de forma concentrada, porque para a abertura todos irão fazer a cobertura, mesmo que não seja o jogo da sua seleção, poderão enfrentar problemas e transmití-los para os seus públicos. Ademais o aerporto de Brasília não é um hub internacional. Os turistas, profissionais de imprensa, terão que desembarcar no Galeão ou em Guarulhos e trasladar-se para Brasilia, com todos os seus equipamentos. É um ponto fraco difícil de superar a curto prazo. Para 2014 a situação deverá estar melhor, porém a imagem já ficará comprometida pelos problemas de 2013. A concessionária terá que montar operações especiais e emergenciais para atender satisfatoriamente a mídia internacional em 2013. De forma integrada com a Polícia Federal, com a Receita Federal e outras autoridades. Uma atenção especial deverá ser dada às exigências da vigilância sanitária. Não há carência de hospedagem, porém não pode haver acumulação com outros eventos, principalmente os promovidos pelo Governo Federal. Mas como Brasilia só receberá a abertura, num final de semana, é possível conciliar os cronogramas.

Para as cidades do Nordeste, um primeiro problema é logístico, pois todos os turistas internacionais terão que desembarcar no Rio ou São Paulo e para depois seguirem para as cidades sede nordestinas. Em todas essas estão sendo realizadas obras, mas nem todas ficarão prontas para a Copa das Confederações. A Infraero, demorou demais para retomar as obras e seus cronogramas estão voltados para a Copa do Mundo, mas não para a Copa das Confederações.

A vidraça mais problemática de Fortaleza é o turismo sexual infantil. As ações foram pouco efetivas e o Estado e Municipio tem agora pouco tempo, para resolver o problema. A tendência será a de tentar esconder durante a realização da Copa das Confederações.

Salvador ainda é uma cidade com grande concentração de pobreza e de sujeira. Essa poderá ser resolvida durante a Copa, por mutirões, mas a pobreza exposta não. A sua disseminação impede qualquer movimento de escondê-la.

Já Recife não tem vidraças tão evidentes para a percepção externa. Tem igualmente pobreza e sujeira, mas esses acabarão sendo objeto de operações limpeza, durante a Copa das Confederações. O que não será superável é a distância da Cidade da Copa, do polo hoteleiro, concentrado na orla de Boa Viagem.

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