Os soldados desse bom exército estão em todos os lugares: em ruas, escolas, associações, clubes e organizações não-governamentais. Em cada instituição, eles assentam alguns tijolos que ajudam a construir um Brasil solidário. Nos últimos anos vem crescendo o número de pessoas que entendem que é possível fazer diretamente, com as próprias mãos, alguma coisa pelas vítimas da miséria, do abandono, das doenças e do preconceito. Essa corrente solidária manifesta-se em uma quantidade crescente de projetos em favor de crianças de rua, populações carentes, portadores de deficiência e idosos.
Há uma pesquisa realizada pela universidade americana Johns Hopkins com o Instituto de Estudos da Religião (Iser) que indica a existência de pelo menos 9 milhões de brasileiros atendidos por ano pelas instituições filantrópicas. Considerando-se que existem mais de 20 milhões de brasileiros vivendo com menos de 1 dólar por dia, a turma da boa vontade tem dado conta de assistir quase metade da camada mais carente da sociedade. Diferentemente da maioria das pessoas, aquelas que arregaçam as mangas se envolvem em trabalho assistencial na exata medida em que vão percebendo quanto o drama social do país é maior que a capacidade governamental de gerar respostas. A melhor maneira de enfrentar esses problemas parece ser ir à luta em vez de procurar os culpados. Um dos precursores dessa mobilização foi o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, que virou símbolo da campanha contra a fome. Lançada em 1993, ela apontou o caminho da solidariedade como única saída para dar aos mais carentes uma condição mínima de cidadania, no caso a própria sobrevivência. Claro que não basta ajudar os outros e deixar de pressionar os governantes, que arrecadam um terço do dinheiro dos brasileiros na forma de impostos, mas consomem boa parte dos recursos apenas para fazer funcionar o próprio corpanzil. É preciso votar direito e cobrar desempenho. Não há dúvida a respeito. A questão, no entanto, é que só reclamar já não basta. É preciso fazer.
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